biomimética e arquitetura [2]
15/11/2009 2 Comentários
Iniciativas como o projetos TERMES, de monitoramento e aprendizado estrutural de formas naturais (especificamente, aqui, os cupinzeiros), resultam em soluções arquitetônicas surpreendentes, eficazes e sustentáveis. Mais um post da série sobre esse assunto atualíssimo, a biomimética (ou biomimese, ou ainda biomímica – como queiram).

O projeto TERMES, organizado por Rupert Soar, da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, realiza um mapeamento tridimensional da estrutura de cupinzeiros, de forma a estudar sua arquitetura e funcionamento. Tudo feito com a ajuda de tecnologia de ponta (as imagens acima demonstram alguns passos do processo, captadas para um especial da BBC: preenchimento, utilização de um gigantesco scanner 3D e a geração de um modelo tridimensional detalhado).

De posse dos modelos detalhados, cientistas podem entender como funciona a estrutura de túneis e condutos de ar – que realiza troca de gases, mantém a temperatura e regula a umidade. Objetiva-se chegar a padrões utilizáveis na construção de edificações autorreguláveis.

O Eastgate Center, na cidade de Hare, no Zimbábue, projeto de autoria do arquiteto Mick Pearce, em parceria com a ARUP engenharia, não possui um sistema convencional de ar condicionado ou aquecimento mas, mesmo assim, mantém ao longo de todo o ano sua temperatura regulada – com uma economia dramática no consumo de eletricidade, tudo graças a um design que seguiu os princípios da biomimética.

Os cupins, no Zimbábue, constróem montes imensos, onde cultivam fungos – sua fonte principal de alimento. Esses fungos devem ser mantidos a exatos 30,55°C – e a temperatura externa varia enormemente, indo de 1,6°C, durante a noite, a 40°C durante o dia. Os cupins conseguem estabilizar a temperatura através de um sistema que está constantemente abrindo e fechando uma rede de túneis de ventilação – para aquecimento ou resfriamento.

Com um sistema de correntes de convecção cuidadosamente ajustado, os cupinzeiros sugam ar através da parte inferior dos montes, leva-o a galerias inferiores com paredes úmidas, para em seguida subir por um túnel, direto ao topo. Os cupins estão constantemente cavando novos túneis e fechando antigos, de forma a regular a temperatura.
O Eastgate Center, no Zimbábue, cuja estrutura é predominantemente de concreto, funciona de forma similar. A ventilação que adentra a edificação é resfriada ou aquecida, a depender do que estiver mais quente, o ar ou o próprio concreto da edificação. É, então, canalizada para os escritórios ou para o próprio shopping center, antes de sair pelo sistema de exaustão natural (similar a uma chaminé). Trata-se de um conjunto que engloba duas edificações separadas por um espaço aberto, com iluminação zenital e aberto à ventilação local.

O Eastgate Center consome, espantosamente, menos de 10% da energia que um prédio convencional de sua escala costuma consumir. Além de ser um avanço ecológico, essa economia (de cerca de 3,5 milhões de dólares no empreendimento) resulta em aluguéis 20% menores que os das edificações circundantes.
fontes: inhabitat, sandkings e biomimicryinstitute.
NOTA.: Post redigido graças à inestimável contribuição da arquiteta geek radicada no Havaí, Sâmia Silveira. Thanks a lot!




nossa isso vai me ajudar mtoo em um trabalho q tenho q fazer !!!
Fascinante;devemos aprender com estes respeitáveis insetos!
Cortei alguns cupinzeiros em fatias grossas,sou artista plástica,gosto da textura e dos buracos irregulares!
Maria Villares